terça-feira, 5 de abril de 2011

"Sufia Alovio"

Hoje foi o dia das propostas!
Depois de uma manhã bem chuvosa em que ainda apanhei umas molhas, a tarde estava programada no Gembesse (descobri hoje que se escreve assim e não Jambesse! Peço desculpa.). Combinei com o Zainal (um dos indianos da ilha) irmos na carrinha dele transportar pedra para a igreja que estou a ajudar a construir (sobre isto falarei noutra altura). Parámos em casa do ansião para o ir buscar e quando já estava na carrinha pronta para arrancarmos, a Mariamo, mulher do ansião, vem a correr entregar-me um papel dobrado e colado com cola de farinha para ninguém abrir. A Mariamo ainda me fez sinal de quem lhe tinha dado o papel para me entregar mas já não consegui ver bem o rapaz ou senhor. O resto já vocês imaginam "Sufia Alovio". Ainda parei uns segundos mas quando li em voz alta.... Sem palavras. Que grande tesouro.
Depois de tudo isto passar, de ter ido dar uma aula ao Lumbo e de ter ficado estupefacta com o grau de burrice das pessoas que ali estavam (desculpem isto mas é a mais pura das verdades. É uma burrice que faz pena, é verdade, mas não deixa de ser burrice), voltei para a Ilha e fui a casa do sr. Himo (um indiano cá da ilha, dos seus cinquenta e tal anos, do partido MDM, das pessoas mais simpáticas que aqui há e que nos ofereceu um banquete lá em casa no fim de semana passado). O Himo tinha pedido para lá por casa porque queria falar comigo. O filho tem uma quinta no Gembesse com um minimercado e ele tem um projecto de fazer ali umas bombas de combustível e queria que eu desse uma vista de olhos no processo que ele vai mandar para o banco. O filho mais velho trabalha num banco em Nampula na secção de concessão de crédito e por isso o empréstimo parece-me estar mais do que garantido. De qualquer maneira, a ajuda que ele queria era para os papéis que precisa de entregar no banco. Mas lá para o final da conversa ele começou a dizer que então depois enviava as folhas lá para o banco e quando voltassem que gostava que eu ficasse responsável por aquele empreendimento. Eu ri-me e disse que ia voltar para Portugal e ele disse: "Mas porquê? Até te podíamos fazer uma casa ali na quinta dos D'es... Pensa nisso. Quando vier a resposta do crédito falamos melhor!" Voltei para casa a rir-me da situação e ....... estou sem palavras.