quarta-feira, 30 de março de 2011

Aulas de Negócios

Esta semana começaram em grande as nossas aulas de negócios na escola profissional. A primeira aula foi na passada sexta-feira e foi apenas uma aula de apresentação em que falamos um bocadinho daquilo que pretendíamos com estas aulas e o que é que eles podiam esperar da formação.
Resolvemos pedir a cada um que se apresentasse e também que contasse algum sonho de vida e como se tratavam de aulas de negócios eles só conseguiram falar de coisas relacionadas com negócios. Cada um se foi apresentando e dizendo os seus sonhos sempre no seu vocabulário moçambicano. Chegou a vez do Assanito Paulo falar de si e dos seus sonhos e começou a contar a história do seu negócio de extracção de madeira e acho que não vale a pena perguntar a nenhum de nós qual o conteúdo do discurso sobre o negócio porque a partir do momento em que ele disse "...mas estou a DESCONSEGUIR continuar com meu negócio de extracção de madeira..." tentámos apenas não trocar olhares entre nós para não sair dali uma gargalhada geral. Esta palavra usada pelo Assanito é recorrente no vocabulário Moçambicano e já é usada por nós também nalgumas brincadeiras e dá sempre lugar a alguns risos. Mas quando juntamos à palavra desconseguir o sotaque genuíno de um moçambicano... Não há palavras. Estou a desconseguir explicar!!

quarta-feira, 16 de março de 2011

"E actualizar o blog que era bom, não?"

Depois de algum tempo de ausência aqui no blog, a única justificação que tenho para vos dar é que realmente há coisas que se vivem nesta terra, que são quase impossíveis de descrever. Mas a pedido de algumas famílias, e já não é só da minha, hoje decidi contar-vos um bocadinho da história de cada empreendedor que estou a acompanhar para perceberem um bocadinho aquilo que estou aqui a fazer.
Em primeiro lugar, e sem querer citar nomes ou levantar falsos testemunhos, houve aqui malta no grupo que recebeu empreendedores que pagam tudo direitinho e que não dão problemas nenhuns. Não sei como é que isto foi feito nem me vou pronunciar sobre esse assunto mas eu quando aqui cheguei vinha acompanhar 4 casos antigos: Um professor que tinha um cabeleireiro que tinha sido assaltado e que estava fechado (o cabeleireiro do Kabura e da Suhura, a sua esposa); Um serralheiro coxo e mentiroso que deve mais ao banco do que aquilo que pediu emprestado (O Joaquim Júnior, mais conhecido por Sr. Bebé); Um carpinteiro, o Amisse Assane, que estava desaparecido e que afinal o irmão é que era carpinteiro e já morreu, o problema é que o empréstimo estava em nome do Amisse; O bar do Júpiter que quando cheguei estava fechado porque ele não tinha guardado dinheiro das vendas para repor o stock de produtos no bar. Como vêm estou bem servida e aventuras não me faltam.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Casamento na Ilha

No passado fim de semana a ilha parou para assistir ao casamento de um sueco com uma moçambicana. Como brancos que somos, alguns de nós que conheceram o irmão da noiva no dia anterior ao casamento foram automaticamente convidados. O casamento foi na igreja católica aqui mesmo junto a nossa casa às 14h de sábado e eram muitos os estrangeiros no casamento. Quase todos os brancos que estão na ilha foram convidados e foi interessante ver a animação do povo da ilha com tanta gente e uma festa tão grande por estas bandas.
Bem, a animação começa apenas à noite porque o convite que recebemos foi para aparecer apenas na festa já depois do copo de água. Quando chegámos já não estava muita gente mas ainda assim decidimos ficar só pela animação de termos sido convidados para o casamento. O bolo da noiva estava ainda junto das bebidas e parecia que tinha sido apenas comido o primeiro andar do bolo pois já não tinha a cobertura do último andar, mas na verdade nada tinha sido comido e apenas tinham tirado a base que teria os bonecos ou algo assim do género. O Pi, como convidado que tinha sido, e a pensar que o bolo de noiva já tinha sido aberto, decidiu cortar, à mão, num golpe de karaté, uma fatia de bolo. Despedaçou um bocado do andar de cima e foi a única pessoa que provou do bolo naquele dia. Estava bom , Pi? É só para os noivos saberem. QUE PANCADÃO!!!!!

O cabeleireiro do Kabura

A pedido de algumas famílias aqui vai uma nova história para o blog.
Depois do processo de investigação acerca dos cabeleireiros do professor Kabura, lá fui falar com ele e confrontá-lo com os factos que tinha encontrado. A verdade é que me apercebi de que afinal toda a família do Kabura tem cabeleireiros e como ele é o único dos irmãos que fala português, é ele que vai aos cabeleireiros tratar de todos os assuntos. Apesar de eu estar enganada e de ele me ter explicado porque é que todas as pessoas pensavam que os cabeleireiros eram dele, o Kabura percebeu que eu ia andar em cima dele. O caso do Kabura era um pouco complicado porque ele ainda deve 19000mzn e teve que fechar o cabeleireiro porque este tinha sido assaltado. A minha questão era, como é que eu vou ajudar este homem a pagar um valor destes se a única fonte de rendimento que existe numa casa para 6 ou 7 pessoas é o salário dele de professor que são 4000mzn? Eu já tinha andado no Jambesse à procura de um novo sítio para ele montar o cabeleireiro mas não estava a ser fácil. Os frutos da conversa que tive com ele em que lhe mostrei que o maior interessado nisto tudo era ele e que não podia ser só eu a mexer-me foram surgindo. Na semana passada o Kabura foi comigo ao Jambesse para me mostrar um sítio que tinha encontrado para o cabeleireiro e andei a ajudá-lo a passar algumas coisas que tinha na barraca antiga para a nova e hoje estive no Jambesse com o Carlos que vai ser o empregado do novo cabeleireiro. Já limparam a barraca toda e fizeram a instalação eléctrica. As coisas estão encaminhadas e sinto que começo de alguma forma a ajudar esta gente.